A bicicleta já é uma expressão cultural holandesa tão forte quanto qualquer moinho, tamanco ou tulipa. Amsterdam e Copenhague, capital da Dinamarca, são as cidades mais conhecidas e admiradas por todos os ciclistas, mas nem mesmo estas cidades sempre foram boas para os mesmos.

Na década de 50 a Holanda atingiu a incrível marca de 85% de suas viagens realizadas com bicicletas[1]Porém, com o grande avanço das vendas de carros, esse número caiu drasticamente, chegando à marca de 20% no começo da década de 70. Essa enorme queda gerou um aumento inversamente proporcional do número de mortes de pedestre e ciclistas em acidentes de trânsito.

Após a morte da filha de um jornalista holandês, o mesmo lançou a campanha ‘Stop Kindermoord’ (em uma tradução literal equivaleria a ‘pare o assassinato infantil’) originando assim, protestos contra o grande índice de mortalidade em acidentes de trânsito e contra a cultura do carro, e mais que isso, a diminuição dos projetos para a construção e expansão de ruas e avenidas e uma maior atenção aos projetos que estimulassem as bicicletas. Foi justamente durante estes protestos que se iniciou a marcação do local de morte de um ciclista com uma cruz branca. Hoje, estas cruzes brancas foram substituídas pelas “Ghost Bikes”, que nada mais são do que bicicletas inteiras pintadas de branco (de preferência a bicicleta usada pelo próprio ciclista) no local onde um ciclista foi morto.

Como consequencia desses protestos e campanhas, ao invés de incentivarem as crianças e ciclistas a fazerem parte da cultura motorizada, foi preferível adaptar o trânsito à eles. Com esse problema em mente, os holandeses se propuseram a fazer esse experimento – que enfrentaria inúmeras variáveis como clima, relevo, aumento das taxas para carros, topografia, diferenças políticas e, como sempre, a importância da indústria automobilística na geração de empregos. Este experimento comprovou que, quando estimulados e com maior educação sobre ciclistas e investimento em infraestrutura, o número de ciclistas aumenta, e muito.

Hoje em dia, a capital holandesa possui uma das maiores taxas de ciclistas por habitante em todo mundo, aproximadamente 50% das viagens na cidade são feitas de bicicleta em seus 400km de ciclovias.

 

AMBB