Foi em um manhã de Segunda Feira em São Paulo, que arrisquei minha vida para sentir o gosto de uma vitória egoísta que iria abraçar meu ego.

Nesta manhã chuvosa em São Paulo também fiquei grato por ter cometido tal erro.

Pedalar o dia todo e ignorantemente se sentir superior e não aceitar seguir um ciclista, apenas ser seguido, sempre ultrapassar não importa o custo!

Foram 10 metros deslizando em uma ciclovia sendo castigada por uma tempestade típica do mês de janeiro em São Paulo, o destino final desse escorregador era a parte inferior de um caminhão da Eletropaulo que havia fechado um cruzamento.

A ciclovia traz muita segurança para os ciclistas paulistanos, porém em um dia de chuva sua pintura “cor laranja” acaba eliminando a aderência que a bicicleta necessita, e às vezes um pouco de terra, folhas e galhos também prejudicam, por isso em dias de chuva é necessário reduzir a velocidade drasticamente e antecipar seus reflexos.

Um leve calor de 28 graus e uma tempestade, e a próxima entrega protegida, uma ambientação natural de São Paulo que me empolga, e então eu acelerei o ritmo confiante como nunca e me sentindo imbatível.

Passando em frente da estação do metrô Faria Lima pedalando na ciclovia ultrapassei mais um ciclista que pela velocidade que estava, também parecia estar determinado e confiante, mas não mais do que eu ! Dois semáforos ameaçam fechar mas eu não ia parar no vermelho porque amo essa ambientação paulistana e nela sou imbatível, continuo a toda velocidade no cruzamento com a avenida rebouças e um piscar de olhos já estou no próximo cruzamento e foi nessa hora que a porta se fechou, apertei os freios e as duas rodas travaram na ciclovia molhada que não ligava para o fato de eu me sentir invencível, a bicicleta ficou e eu continuei deslizando a uma velocidade de 40km/h tomado por desespero porque não havia outro jeito a não ser acabar debaixo do caminhão e foi exatamente o que aconteceu. Depois de 10 metros finalmente fui amortecido pela parte do chassi inferior do caminhão.

O motorista deveria ter olhado para os lados, mas um ciclista mensageiro experiente deveria deixar de lado seu ego e zelar pela sua segurança e assim eu conseguiria frear e parar a tempo.

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Um pouco antes de apertar os freios assoprei meu apito que havia ganhado de uma familiar, que amo, e consegui chamar a atenção do motorista do caminhão que olhou pra mim e viu toda a cena inclusive eu entrando embaixo do veiculo e esse pequeno detalhe salvou a minha vida e mudou minha atitude.

Não sou imbatível e por mais que esteja empolgado com uma simples ambientação chuvosa não colocar o ego acima do meu amor pelo ato de viver.

Em uma simples segunda feira aprendi uma lição de vida que vou levar pra sempre comigo. E esse é um dos momentos que vivi pedalando em São Paulo.

 

Pimpolho