Tradicionalmente, a corrida é realizada no mês de julho. Enquanto a rota muda de edição para edição, o formato da prova permanece o mesmo, com provas de contrarrelógio, a passagem através das cadeias de montanhas dos Pirenéus e dos Alpes, e a finalização na Avenida de Champs-Élysées em Paris. As edições atuais do Tour de France consistem em 21 etapas diárias (fases), ao longo de 23 dias, cobrindo cerca de 3 200 km.

Contudo, não foi sempre assim. Sua primeira edição foi realizada em 1903 e seu idealizador, Géo Lefèvre, jornalista francês que trabalhava para o jornal esportivo L’Auto, sugeriu uma corrida de seis dias, do tipo popular na estrada, mas que passasse por “toda” a França entre os dias 31 de maio e 5 de julho, com um trajeto partindo de Paris passando em Lyon, Marselha, Bórdeus e Nantes, antes de retornar à capital francesa.

Para a época, o nível de dificuldade foi considerado bem alto — mesmo com dias de descanso entre uma etapa e outra, já que as fases duravam uma noite inteira e terminavam apenas em outro dia. Além de envolver muitos custos tanto para os participantes quanto para organização. O resultado foi a inscrição de apenas 15 ciclistas.

Diante do aparente fracasso no números de inscritos, ocorreram mudanças no planejamento inicial: a cidade de Touluse foi acrescentada no percurso, a data alterada para 1º a 19 de julho, encurtando a duração da corrida, além de um subsídio diário para aqueles que fizessem em média pelo menos 20 km/h em todas as fases. Foi acrescentado também uma premiação, em dinheiro, para cada fase, com um valor que ultrapassava aquilo que os trabalhadores ganhavam na época. Estratégia essa que atraiu cerca de 70 participantes.

A primeira edição da prova em 1903 foi classificada como um sucesso e aos poucos foi atraindo patrocinadores e crescendo em escala mundial.

Nas primeiras edições do Tour, os corredores dormiam na beira da estrada e não podiam receber nenhum auxílio externo, era uma corrida enduro quase contínua. Com o tempo isso foi mudando e atendendo melhor as necessidades dos participantes. Hoje a estrutura é muito melhor planejada e oferece assistência o tempo todo, desde água, alimentos, atendimento médico, até mecânicos de bicicletas.

A prova foi passando por diversas mudanças e se modernizando cada vez mais, beneficiando também o público que a acompanha. Desde o ano passado, por exemplo, é usado um sistema que fornece informações muito mais precisas em tempo real para espectadores, comentaristas e times de atletas, baseado em um rastreamento que combina dados, vídeos, fotografias e redes sociais. O que atrai cada vez mais fãs, uma vez que proporciona uma experiência quase que interativa na competição.

Os espectadores têm acesso a dados como velocidade dos atletas, distância entre cada um deles, composição dos pelotões de corrida, velocidade e direção do vento, assim como previsão das condições climáticas, um acompanhamento que poucos eventos esportivos oferecem em tempo real ao público sem depender de uma cobertura televisiva.

O Tour de France conseguiu aliar a tradição do evento com as inovações tecnológicas disponíveis, agradando assim tanto os ciclistas que participam da prova, quanto quem está de fora dela.

O Tour em 2017

O Tour começará na Alemanha, em Dusseldorf, e vai passar pela Bélgica e Luxemburgo durante o percurso de 3.516 quilômetros. As cinco regiões montanhosas da França (Vosges, Jura, Pyrenees, Maciço Central e Alpes) foram incluídas no roteiro, o que não ocorria há 25 anos.

A disputa começa nas ruas de Dusseldorf no dia 1º de julho e as apostas em torno da performance do alemão Tony Martin, que acaba de recuperar o título de campeão mundial de contrarrelógio, já estão altas. No dia seguinte, o pelotão vai até Liege, na Bélgica, uma das mecas do ciclismo. A etapa rainha será nas montanhas de Jura, entre Nantua e Chambéry, com o Col de la Biche, Grand Colombier e Mont du Chat, em 4.600 metros de subida acumulada. Mas o clímax será no Col d’Izoard, na 18ª etapa.

Mapa do percurso do Tour 2017, que começa na Alemanha

 

JCB