A preocupação com a mobilidade urbana e seus efeitos é antiga como confirmam registros históricos observados em Roma há mais de dois mil anos. O mesmo se verifica com os transportes, com suas distintas modalidades e tecnologias acompanhando a história da humanidade e tendo papel fundamental na ocupação do território e em seu desenvolvimento.

Os transportes se caracterizam por obras de capital intensivo bem como por provocar potenciais externalidades para se atender as necessidades de mobilidade da população, com qualidade a seus usuários e mínimos impactos negativos nas dimensões sociais, econômicas, ambientais e culturais. Tal processo de previsão e tratamento envolve uma dada complexidade que tende a aumentar no Brasil fruto do seu notável crescimento de urbanização, do aumento significativo da taxa de motorização, também pelas desigualdades espaciais observadas em nossas metrópoles, em termos de infraestrutura e serviços de transportes, bem como de oportunidades e empregos, que acentuam a dificuldade para administrá-las. Por outro lado, se os transportes causam problemas (congestionamentos, acidentes de trânsito, degradação ambiental) podem também se tornar veículos de mudanças e melhorias sociais, sendo, para isto, imprescindível o uso do planejamento e projetos devidamente fundamentados por técnicas apropriadas e profissionais capacitados.

Apesar disso, o planejamento em nosso país é pouco valorizado. Um exemplo é que a partir da Lei nº 12.587/12, conhecida como Lei Nacional de Mobilidade Urbana, passou a ser obrigatória, aos municípios com mais de 20 mil habitantes, a elaboração de Planos de Mobilidade Urbana, entretanto, sabe-se que relativamente poucos municípios realizaram seus planos. Dentre os diversos fatores causais para que isto tenha ocorrido, um deles refere-se ao uso de abordagens tradicionais, criticadas pela ênfase dada ao tráfego motorizado e, em particular, aos automóveis, a não aderência às especificidades locais e por compreenderem recursos financeiros e técnicos tipicamente não disponíveis nas prefeituras.

Contudo, a preocupação com a sustentabilidade provocou, ou melhor, vem provocando mudanças de paradigmas no planejamento de transportes, da mobilidade e do desenvolvimento urbano, destacando a função da acessibilidade e contemplando avanços metodológicos que representam um grande desafio técnico e científico no âmbito internacional.