Hoje o debate urbanístico age sobre críticas à cidade modernista. Os planejadores urbanos contemporâneos inserem o discurso da “sustentabilidade” no debate do desenvolvimento e planejamento das cidades na busca de novos paradigmas dentro dos aspectos de uma economia sustentável para o planejamento urbano, ideia que lida basicamente com a necessidade de uma mudança de hábitos (de consumo) das populações, a necessidade de um controle do crescimento demográfico, a perspectiva temporal (para as gerações presentes e futuras) e uma reavaliação de escalas, isso quer dizer, pensar global, agir local.

Andar de bicicleta é um prazer, além de um ótimo exercício. Pedalar nas grandes cidades ainda ajuda o meio ambiente, dentro desta perspectiva, fatores como a melhoria da qualidade do ar, a conservação de energia, a diminuição dos impactos gerados pelo trânsito, entre outros tópicos já que as bicicletas são um meio de transporte limpo, que não emite gases poluentes, além de diminuir a quantidade de carros nas ruas, facilitando a mobilidade. Nos caóticos ambientes urbanos, porém, usar a bike como meio de transporte não é exatamente uma escolha fácil, tanto pela falta de estrutura adequada quanto pela mentalidade e comportamento geral dos motoristas.

Deve-se notar também que o conceito de sustentabilidade urbana implica em tópicos mais abrangentes que aqueles considerados dentro do conceito de sustentabilidade ambiental, uma vez que o meio ambiente das cidades deve desenvolver-se em âmbitos sociais, econômicos e políticos, além dos ambientais e ecológicos. No Brasil a discussão é crescente e ganhou força principalmente nos últimos dez anos. Em São Paulo, maior cidade do país, já se tornou relativamente comum ver pessoas utilizando as bikes para ir ao trabalho diariamente, algumas ciclovias já facilitam o acesso e vias especiais para o lazer também lotam nos fins de semana.

O uso da bicicleta ainda encontra o forte obstáculo do preconceito e, especialmente no Brasil, da falta de cidadania e respeito no trânsito. John Forester, engenheiro de trânsito americano dedicado ao estudo de sistemas cicloviários, nota que existem duas maneiras antagônicas de tratar o uso da bicicleta nas cidades: um que trata o ciclista como um condutor de veículos, sujeito às mesmas penalidades de um motorista de automóvel e outro que trata o ciclista como um “personagem marginal” que deve ser isolado para não atrapalhar o uso das vias pelos automóveis.

Se o primeiro aspecto leva a uma situação onde a cidadania é reforçada ao compartilhar as vias entre os diferentes meios de transporte e a segurança é aumentada pela necessidade de educação no trânsito exigida do ciclista, o segundo modo de tratar os ciclistas isola-o, dificultando a sua integração, aumentando o tempo de deslocamento e criando obstáculos para difusão do uso da bicicleta.

Evidentemente, em algumas situações específicas, a criação de ciclovias segregadas do trânsito é necessária, mas não pode ser colocada como solução a prioritaria. Infelizmente, as políticas de transporte de nossas cidades enxergam o ciclista pelo segundo aspecto. Alguns avanços têm sido feitos nas cidades brasileiras, nos últimos anos, porém existe uma necessidade de se ampliar o debate em torno do uso da bicicleta como meio de transporte.

 

Fontes:

http://www.cidadessustentaveis.org.br/noticias/como-diminuir-poluicao-do-ar-nas-grandes-cidades

http://www.revistabicicleta.com.br/bicicleta_noticia.php?sustentabilidade_e_cidadania_entenda_o_que_e_cicloativismo&id=29779

http://urbanidades.arq.br/2010/10/bicicletas-transporte-urbano-e-sustentabilidade/